Atlético, Leicester e a vitória do esquema 7-5-2 (da Vulcabrás)

Por Emiliano Tolivia (@ToliviaEmiliano)

Gostaria de abrir este texto com uma informação absolutamente desimportante para a humanidade, mas relevante para a crônica: eu gosto mesmo é de time com um Trêspanador, um Cincão porrador e um Novezão matador. Ponto.

Parágrafo. Linhas de três, de quatro, 4-2-3-1, tiki-taka… Há quem adore termos táticos. Há quem ache que termostáticos são os ramos da física que tratam do equilíbrio térmico. Eu gosto mesmo é de… já disse. Não que considere o desenho de um time em campo inútil e os técnicos, adereços. Pelo contrário. Sou dos que acreditam na importância dos treinadores.

simeone

Simeone dá um tapa no delegado do jogo: mesmo estilo como jogador e técnico

Está ficando contraditório, eu sei. Vamos lá. No pós-7 a 1, surgiu automaticamente uma demonização do modo como o futebol é praticado no Brasil e, com toda a transmissão disponível dos campeonatos europeus, passamos a ver os jogos sob a ótica de setas, mapas de calor e porcentagens. Não resta dúvida que a evolução do jogo em campo passa pelo estudo e pela tecnologia, e que o “maré-maré, jacaré-jacaré” se afoga até no Acreano. O problema é o exagero de acreditar que todos os times são capazes de mostrar bom futebol. Nem no Play Station.

O preâmbulo ao estilo “cenas lamentáveis” é para exaltar dois times: Atlético de Madrid e Leicester.

imortais

Imortais, em Copacabana: vá!

– Ah, sabia! Olha, eu prefiro o futebol de toque de bola do Bayern. Não gosto da catimba e da cera do Atlético. É a cara do Simeone – diz um grande amigo em resenha na calçada do Bar Imortais, em Copacabana (vá, é ótimo!).

De cara, sou fã do Simeone jogador e técnico. E, como têm sua cara, os colchoneros jogam um clássico futebol “chuteira preta”. Não há como ser diferente. Como enfrentar equipes extraterrestres como Bayern, Barcelona e Real e todo o abismo financeiro que existe entre eles e o resto da galáxia? É marcação (ok, pancada), contra-ataque (ou bicuda mesmo), gol achado e fura a bola. Se for preciso, um empurrão no delegado do jogo (eita, Cholo…).

Deu-se agora de chamar de “Cholismo”. “Meu esporte é ganhar”, disse o técnico. Exatamente. De forma não muito diferente, o Internacional venceu o Barcelona no Mundial na base do “Abelismo”. Acredito que Abelão assinaria embaixo.

– Mas é jogar como time pequeno, abdicar do jogo – reclama outro amigo.

Qualquer clube que enfrente este trio e mais dois ou três ETs automaticamente vira time pequeno – o que não quer dizer que não possa vencer. É futebol. Abdicar do jogo seria entrar de peito aberto, tocando a bola – e levando sete côcos lá atrás. Como se faz frente a quem consegue manter 80% de posse de bola? Se só há 100% diponíveis, trate de se virar nos 20% que te restam.

Sapatadas e título na Inglaterra

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7-5-2 da Vulcabrás: mais um sapato, um estilo de jogo

E se é enorme o feito do Atlético de Madrid, classificado para a final de mais uma Champions League, o que dizer do Leicester, campeão inglês? Já não se trata de futebol “chuteira preta”, mas de uma tática 7-5-2 (da Vulcabrás).

De provável rebaixado a campeão, o pequeno gigante clubes inglês contou a mais incrível história de que se teve notícia nas últimas décadas. Para explicar nos mínimos detalhes como a epopeia se deu, há diversos blogs mais entendidos que o nosso Futequim. Mas, daqui do balcão, é possível dar uns pitacos.

Não teve: grande cota de TV; patrocínios milionários; craque de capa de Fifa Soccer; técnico de grife; posse de bola; 90% de passes certos; apito amigo.

leicester

O incrível aconteceu: como não torcer?

Teve sim: marcação fortíssima (ok, pancada também); organização tática – sem planos infalíveis do Cebolinha; passe errado; 1 a 0; técnico desacreditado vendendo um sonho; 1 a 0; jogadores bons e medianos comprando a ideia; 1 a 0; torcida lotando estádio em busca do impossível.

Como não torcer por este filme da Disney? Dispenso os milionários Chelsea, City e United. Um conto de fadas assim tem a periodicidade do Cometa Halley. Aproveitemos.

Às vezes, uma força da natureza traz a reboque um Maradona para jogar bonito e vencer. É raro. Futebol bem jogado é sempre melhor? Claro. Mas, se não for o caso – e não é -, só o “cholismo” salva.

E fura a bola!!!

 

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Sobre Emiliano Tolivia

Jornalista, 36 anos. Amante das resenhas - de futebol ou não - no balcão, regadas a cerveja até a última saideira, com muita pilha e sem melindres. Caso contrário, é melhor nem começar.
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