Violência no futebol: muitos pitacos e pouco conhecimento

Por Emiliano Tolivia (@emilianotolivia)

– Imagine na Copa!

No boteco, no trabalho, na internet, a frase já virou chavão. Mas a piada ganha tom sério  para as autoridades do Brasil em geral – e do Rio especificamente, que ainda receberá as Olimpíadas. A recente divulgação de violência de torcidas organizadas ligou a sirene vermelha. Sim, divulgação, e não onda, porque isto ocorre quarta e domingo, e os envolvidos sabem. Mas, no momento em que agressões e mortes vão parar na mídia, a dona Maricota e o seu Hepaminondas ficam sabendo, a sociedade – com razão – se escandaliza, e o poder público se vê obrigado a dar uma resposta ao que ele, preguiçosamente, joga para debaixo do tapete a cada clássico.

Percebam, a preocupação não é com a segurança dos torcedores habituais. Isto é consequência. O medo é sobre o que sairá publicado no NY Times, o que será veiculado na BBC. Na Copa, o público é outro, os arruaceiros são os estrangeiros, a torcida da Seleção é a mesma que vai aos jogos de vôlei às 10h. Logo, a preparação é totalmente diferente, o foco são hooligans, poloneses, turcos, russos, croatas. Mas, voltando ao cerne da questão, é preciso dar uma resposta.

Se as medidas tomadas de fato trouxessem tranquilidade às pessoas de bem que vão aos jogos, ainda que acabasse sendo um efeito colateral de providências hipócritas, seria ótimo. O problema é que, quem está à frente da cruzada, pouco ou nada sabem, mais preocupados que estão em dar exemplos, respostas ou, simplesmente, fazer política. Falta arquibancada, falta conhecimento de causa, sobra óleo de peroba.

– Mas até em Brasília o pessoal está correndo atrás – questiona um amigo, quase abraçado ao delicioso joelho de porco grelhado da Adega do Pimenta, em Santa Teresa.

Pois é, e esse é o problema. Começa de cima. Há alguns anos, do Distrito Federal, veio a ordem de proibir as cervejas no estádios como grande solução para a violência. Tirando rixas de organizadas de mesma torcida, acredito que não haja brigas do lado de dentro há uns 15 anos. Qualquer pessoa que vá aos jogos sabe que as confusões se dão do lado de fora. E cada vez mais distante das arenas esportivas, em encontros marcados ou fortuitos, já que bondes se espalham pela cidade em busca de rivais. É a violência pela violência, é ela o verdadeiro ópio do marginal. Escrevi a respeito no post inaugural do blog (Tem “caraculpa” eu? Não, cervejeiro, não tem…)

A “culpa” da dona Candinha e do seu Hepaminondas

Só que é bonito discursar pelo fim das brigas no futebol, dá voto, dona Candinha e seu Hepaminondas aplaudem. Pena que não tenha qualquer efeito prático além de perpetuar a falácia no tema – e prejudicar o torcedor de bem. Além do álcool, acreditam os nobres deputados que é possível fazer um cadastro dos membros das torcidas organizadas. Dá para ser mais inocente? Porque quero acreditar que seja apenas ignorância. Quem, em sã consciência, acredita que os “linhas de frente”, os barras-pesadas dos bondes vão assinar qualquer coisa? Dar seu endereço, CPF e telefone?

É como a genial medida de proibir as organizadas, mas não controlar seus componentes. Apenas torna muito mais difícil o trabalho de identificação deles, agora sem faixas, camisas e bandeiras. De modo geral, passam a ser todos iguais.

A polícia tem um setor de captura de foragidos, mas os crimes cometidos no futebol são os de mais fácil resolução que pode haver. Os criminosos estão de volta a cada clássico. E aumentando a ficha corrida. Sequer é preciso ir em busca deles. Mas, em vez de detê-los, a polícia, como não tem qualquer controle individual sobre os membros e enxerga apenas o todo, como um gado ,escolta o bonde para dentro do estádio, onde ficarão ao lado dos pacíficos torcedores que pagam seu suado ingresso.

Basta ir às partidas para saber como se dá o “espetáculo” da chegada dos bondes. Com grande aparato policial em volta, cantam músicas de apologia à violência, relatando vários delitos cometidos (proíbem shows do Planet Hemp por muito menos, quando interessa aparecer). São réus confessos! No bando, raros são os que usam camisas da organizada. Os motivos: estarem à paisana para tocaias, não serem identificados caso estejam em minoria ou não queimarem o filme da facção. Normalmente, estes camaradas já aprontaram desde cedo em locais distantes da cidade.

Do bonde, muitos sequer entram no estádio. Vários ficam do lado de fora, já à espera dos inimigos – é uma guerra. Boa parte sequer torce pelo clube ao qual a organizada representa, mas se junta a determinado grupo porque na pista (briga), nos bailes funk ou no bairro são mais fortes, numerosos e temidos. Futebol é mero pretexto. São gangues. Tudo passa pelo poder e, no caso dos mais jovens, por uma patética afirmação dentro de um contexto sem educação e referências minimamente decentes.

– E a polícia não sabe de tudo isso? – emenda meu curioso amigo, que deve ter ido ao Maracanã duas vezes na vida, para ver o Papai Noel.

Sabe sim. E é conivente. Exatamente por isso não cola o discurso atual, após uma semana de morte e brigas, como se fossem noviças jogadas em uma casa de massagem. Os policiais sabem exatamente como funciona o submundo das torcidas organizadas. O exemplo veio da Inglaterra e funciona. Prende-se o arruaceiro, que deverá comparecer a uma delegacia no dia dos jogos e, de lá, só poderá sair à noite. Durante anos. Mas quem quer ser babá de marmanjo num pátio de delegacia num domingão à tarde? Interessa criar sistemas nas catracas para identificação de vândalos? Se não temos competência para criar tais mecanismos, não podemos jamais receber Copa do Mundo e Olimpíada. Só que temos. Apenas não queremos.

Violência gera violência. Gentileza? Difícil…

A PM, em 90% das ocorrências, se mostra totalmente despreparada para o que está fazendo. Inclusive o GEPE (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios). Quantas vezes não foi a polícia que começou tumultos em filas ao jogar, como espuma de carnaval, por mínima razão, o spray de pimenta, causando correria? E isto é o café pequeno. Quem entra em confronto de facções e é detido, até outro dia, sabia que levaria uns cascudos, seguiria para a delegacia mais próxima e depois seria liberado, tendo apenas o compromisso de voltar em juízo para pagar uma cesta básica. Interessava mais dar um corretivo à base de cassetete do que punir.

Ninguém me contou. Eu vi um ex-comandante do GEPE, em seu triciclo motorizado, com um porrete que trazia o nome de uma organizada, quebrar o isopor de uma senhora, de aparentes 60 anos, que vendia cerveja na porta do Engenhão. É proibido, ok, mas vejam o destempero e a desproporção entre os atos de uma pessoa que, teoricamente, deveria saber lidar com público – e não com gado.

Neste mesmo clássico, a PM segurou uma organizada em sua sede e simplesmente liberou a invasão da facção rival à outra entrada. Liberou, pois, de repente, mesmo com uns 600 homens fazendo policiamento, um bonde atravessa metade do Engenhão com paus e pedras e chega sem ser importunado, atacando indiferentemente os torcedores comuns presentes. Coincidentemente, o GEPE tentava impedir clássicos no Engenhão por não considerá-lo seguro o suficiente (o ex-Maracanã ainda estava aberto).

Casos não faltam – e não só no Rio. Certa vez, em São Paulo, vi tricolores sendo agredidos covardemente pela polícia sem qualquer motivo na entrada ao Morumbi. Diziam frases do tipo: “Está pensando que aqui é Rio?”. Houve o jogo da volta, e a PM do Rio, que, verdade seja dita, é eficiente na proteção das torcidas visitantes, deu o mesmo “tratamento” aos são-paulinos. Não foram poucos os paulistas que relataram ter passado o mesmo que os cariocas.

Outra dúvida que fica no ar, embora a resposta não pareça tão complicada: não é estranho que as torcidas organizadas, mesmo quando em maior número, nunca entrem em confronto com a PM, ao contrário de outros países? Sabidamente, o Brasil é o país do conchavo, do jeitinho, de uma mão lavar a outra…

– Ah, mas a festa é bonita, nem todo mundo é bandido, cara…

De pleno acordo. Mas eu nunca vou entender o que leva um torcedor de bem a se filiar a uma instituição que prega a violência. No intuito de sobreviver, as organizadas tentam mostrar que são positivas, que fazem serviços sociais, que ajudam. Mera fachada. Algumas até fazem, ao mesmo tempo em que incentivam bondes da madrugada, pista e afins, com camisas, bandeiras e músicas que nada têm a ver com o clube.

Respeito sociólogo que diz que na organizada há 7% de marginais infiltradas, mas, se não é o inverso, é quase isso. Na base do empirismo, apenas indo aos estádios, percebe-se isso. Os que querem apenas torcer, no mínimo, fazem vista grossa. Isto quando não acham bacana dizer que bateu em não sei quem, pegou sei lá quem. Há conivência em ir a festinha e cantar que deu beijo no meio da torcida X, que é Uh, CV, torcida Y aí, e afins.

A própria imprensa, da qual faço parte, na maioria das vezes faz rasos diagnósticos dentro de uma sala com ar condicionado, comendo rosquinhas. É muito fácil chegar cedo no carro da reportagem e sair tarde, com tudo vazio. Aí é um tal de “clima de paz no Engenhão”, “torcida vai chegando sem maiores problemas”, enquanto, na verdade, o pau canta do lado de fora, nos trens e estacionamentos. Isto quando não se entra no discurso fácil de que os públicos dos clássicos cariocas têm sido uma vergonha. Claramente, além de outros fatores, tem muito peso a violência das facções.

A dor do soco, a força da hipocrisia

Ao mesmo tempo que sou crítico das organizadas, não posso fechar o olho para a tendência do poder público de querer dar exemplo – e acabar sendo injusto. Os 22 integrantes da Young Flu presos por agredirem vascaínos no trem foram muito bem detidos. E melhor ainda fizeram em não liberá-los logo depois, como sói acontecer. O problema é que começam os exageros. Bangu 2, fotos divulgadas… Não bastaria cumprir a lei, que já é, teoricamente, justa e rígida? Existe código para quadrilha, agressão, assassinato… cada qual no seu cada qual. Mas transformam a coisa em um show. Não sei, mas tenho certeza que é ilegal pegar um sujeito, ainda que réu confesso, e apresentá-lo à imprensa tal qual um reforço do Real Madrid, com direito a policial levantando-lhe o queixo.

O problema da ânsia popular do “tem que prender mesmo!” são as injustiças. Eu mesmo tenho um amigo, cara de bem, pai de família, que passou a noite preso sem ter feito nada além de xingar – junto com centenas de pessoas – um torcedor rival. Sem encostá-lo, sem nada, apenas gritos de longe, em coro. Foi pego como exemplo, por teórica incitação à violência. Um policial de folga disse que viu o que não viu, um juiz, sem paciência por estar de plantão no Jecrim justificando seu alto salário, não lhe deu direito à defesa e pronto, 24h de cana. Tirar a liberdade de uma pessoa é caso sério e deve acontecer – mas quando realmente houver motivo para isso. Quando entra-se no caminho do exemplo, mostra-se mais preocupação com o recado aos marginais e a opinião da dona Candinha e do seu Hepaminondas – e esquece-se que, talvez, haja um injustiçado.

– E os clubes ainda pagam por isso… – finaliza meu amigo, já com uma bela torta alemã.

Pagam. E muitas vezes incentivam. Quando um presidente diz que os torcedores devem fiscalizar os jogadores nas noitadas, é porque a violência das organizadas não lhe é uma preocupação. Sem dizer que os clubes sustentam as facções ao dar ingressos, que são revendidos na porta dos estádios pela metade do preço. Mesmo torcidas que visualmente não contam com cinco torcedores recebem trinta, quarenta, cinquenta ingressos.

Mas está na mão dos clubes o que de positivo pode sair desta história toda. Com a polícia, o Ministério Público e a opinião da sociedade a favor, é possível, enfim, cortar a farra dos bilhetes grátis. Sem este apoio, entendo que não seja fácil acabar com o ganha-pão de muita gente que, nem sempre, aceita apenas o diálogo.

Agora, apesar dos muito pesares, mesmo com muita gente que não entende do riscado dando pitaco, dá para fazer. E aí?

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Sobre Emiliano Tolivia

Jornalista, 36 anos. Amante das resenhas - de futebol ou não - no balcão, regadas a cerveja até a última saideira, com muita pilha e sem melindres. Caso contrário, é melhor nem começar.
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26 respostas para Violência no futebol: muitos pitacos e pouco conhecimento

  1. Mamá disse:

    A Polícia sabe o que fazer, quando fazer e como fazer. Não faz por pura falta de interesse.

    “Se o cara que sai para trabalhar, é assaltado, assassinado, deixa mulher e filhos e vira estatística, imagine marmanjo que marca encontros nada secretos para brigar. Que se matem.”

    -Eu concordo. O problema é que quase sempre quem morre ou sofre qualquer tipo de consequência não é o marmanjo que marcou a briga, mas o torcedor de bem, aquele que só quer curtir o seu lazer de final de semana.

    “Então pare de ir. Tem tanta opção na TV aberta ou fechada.”

    -Cara, você quer o cidadão abra mão do seu direito de ir ao estádio por causa desses vagabundos?

    “Melhor deixar de ir ao estádio e continuar vivo, né não?

    -É esse conformismo que me mata.

    “Você tem direito de andar livremente em vias públicas, não é? Então por que você não anda na madrugada, no Alemão? Porque você sabe que é perigoso e não quer colocar sua via em risco. Mesma coisa com o estádio. ”

    -…

    O diálogo acima resume tudo que a polícia pensa. E sim, o diálogo é verídico, real e verdadeiro (só para enfatizar) e aconteceu entre eu e um amigo, também policial.

    A Polícia se “preocupa” apenas quando a mídia cai matando, o seu Hepaminondas reclama, Dona Candinha acha um absurdo e diz que vai proibir os netos de frequentarem os estádios e a Dona Clotilde, ah, a dona Clotilde..esta aparece na TV, jurando que aquele seu vizinho, o mesmo que faz parte daquela organizada boca quente, é um bom menino, nunca se envolveu em confusão, era trabalhador, estudante e só queria acompanhar seu time de perto, mas foi assassinado brutalmente. Sem saber a pobre dona que o mesmo vizinho formava os bondes para a guerra em praça pública.
    Rapidamente o líder da comunidade organiza uma caminhada, o seu Coutinho da papelaria faz um extra, que já que vende bastante cartolina para o povo fazer o famoso pedido de justiça, a mãe/tia/avó/irmã desmaia no meio da caminhada e aquele cinegrafista atento registra tudo para o jornal de logo mais, quando a maioria da população repousa em seu lar, após um longo e exaustivo dia de trabalho.
    Pronto. Está armado o circo. O mar vai pegar fogo e logo teremos o nosso peixe frito.

    Aí vem a ordem: Ô, Fulano, prende qualquer vagabundo desse, com camisa de time, mete a porrada e chama o jornal. Se o meliante esconder o rosto, segura o queixo e mostra que aqui vagabundo não tem vez.

    E no jornal da noite vemos aquele vizinho, inocente, talvez, que se afiliou a torcida organizada, levado por sua paixão irracional que é o futebol, tentando desesperadamente entender porque está sendo exposto em rede nacional feito o cara que matou geral na comunidade vizinha.

    E a Dona Clotilde, emocionada, diz naquele programa sensacionalista, como os olhos marejados, que a justiça foi feita e que agora ela está em paz.

    Fim.

    • Perfeito, perfeito. É exatamente isso. O poder público precisar dar uma resposta desse tipo para pessoas que querem uma resposta exatamente desse tipo. E, muitas vezes, o inocente se fode e o marginal escapa. É tudo tão errado em tanta coisa que chega a cansar, chega a desanimar ficar esperando por uma solução de quem não quer resolver coisa alguma…

  2. D.S. Sobrinho disse:

    Tolívia, tudo bem ?
    Entrei aqui só para dizer que essa frase que você postou no twitter é, simplesmente, sensacional. A melhor que li nesta semana de Fla x Flu e de muito oba-oba, diga-se de passagem.

    “Só mesmo o imortal Fla-Flu pra transformar em jogaço da rodada o duelo entre o líder e o décimo colocado.”

    Essa valeu demais!!!

    abraço

    • Fala, Sobrinho!

      Esse oba-oba costuma favorecer o Flu, vamos ver. Jogo complicadíssimo. Mas, independentemente de qualquer fator extracampo, Fla-Flu é o maior jogo do mundo. Não perco por nada!

      Abraço!

  3. D.S. Sobrinho disse:

    Tolívia, tudo bem?
    Eu era daqueles que não perdia um jogo do Flu. Conheço todos os estádios do RJ e alguns de outros estados. Desde garoto me acostumei a acompanhar meu pai, um tricolor apaixonado, que me passou esse genoma no DNA. Hoje, estou com 61 e meu pai com 85 e, também, por muito que você disse, paramos de ir aos estádios. Eu ainda me aventuro com meu filho quando o jogo é de uma torcida só, porque a torcida fica na área leste e, obviamente, vou para o lado oeste no engenhão.
    Sem saudosismo, só como observação, me lembro que (há muito tempo) havia a torcida organizada conduzida por um senhor chamado Paulista. E acho que era a única, ou as outras eram tão insignificantes que nem me recordo delas. Isso até o início dos anos 70. Depois veio a young e trocentas mais. Nessa época, qualquer clássico dava perto de 100 mil pessoas. Não consigo imaginar nos dias de hoje um público assim sem pensar em tragédia.
    Além da insegurança, agora o pessoal gosta de ver as partidas em pé e senta no intervalo. Antes, acontecia, exatamente, o contrário. Um senhor como eu, com um problema mal resolvido no nervo ciático, ficar em pé 45 minutos direto. Sinceramente, não dá.

    Outra coisa também que afasta gente do estádio é a má educação. A última imagem que tenho do Maracanã me deprime: um monte de gente mijando no chão do banheiro, porque o banheiro estava cheio e outros trocentos mijando na mureta em frente ao banheiro pelo mesmo motivo.

    Enfim, há muito a ser feito e a copa já está aí.

    abraço

    • Tudo bem, Sobrinho?

      Alguns costumes mudaram mesmo. Ainda há lugares para ver o jogo sentado, mas certamente metade do estádio, ou quase isso, assiste em pé. Eu mesmo gosto, fico nervoso, complicado passar muito tempo sentado.

      Sobre educação, acho que não é só um problema dos estádios, mas da sociedade em geral, do mundo. Há menos educação, logo, menos gentileza, menos tolerância, menos modos. A questão do xixi até que é bem controlada hoje no Engenhão, por exemplo, mas há outros problemas mais graves.

      Na Copa tudo vai funcionar bem, disso não tenho a menor dúvida. Minha preocupação é depois, no Fluminense x Náutico nosso de cada quarta-feira à noite. É provável que volte tudo ao que era antes.

      Fazem de tudo para que a torcida não vá aos jogos, mas não perca essa paixão de acompanhar o Flu de perto. Quem como nós tem a chama de estádio sabe que assistir pela TV não tem 1/10 daquela emoção. Futebol é no estádio.

      Abração!

  4. a única solução que vejo para isso é uma ordem lá de cima, do Governo Federal, que é a criação de um órgão fiscalizador e uma Lei Federal .
    eu criaria a Lei T.O. e o orgão fiscalizador chamado de CNTO , seria amais ou menso assim:
    Lei T.O.
    Art. 1 º: Fica expressamente proibido qualquer clube do Brasil que seja filiado a CBF de distribuir qualquer tipo de ingresso gratuito para as torcidas que sejam organizadas ou não.
    >
    PARÁGRAFO ÚNICO – fica determinado que todos os integrantes das torcidas organizadas de todos os clubes do Brasil sejam cadastrados no CNTO ( Cadastro Nacional das Torcidas Organizadas) , com nome completo, filiação , nº CPF , nº Identidade, endereço fixo e ocupação. Sendo o torcedor menor de idade este terá que ter autorização dos pais para poder participar.
    >
    Art 2º – fica estabelecido que todos os membros das torcidas organizadas que foram devidamente cadastrados no CNTO só poderão ter acesso aos estádios brasileiros mediante da apresentação da carteira/ingresso com a respectiva foto do torcedor, sendo estas carteiras de uso pessoal e intransferível.

    §1º- a carteira/ingresso do torcedor será concedida para o membro da T.O. pelo seu clube de origem através do órgão competente CNTO ( Cadastro Nacional das torcidas Organizadas)
    §2º a carteira/ingresso terá um código de barra cujo torcedor terá que passar nas catracas eletrônicas dos estádios Brasileiros para poderem entrar.
    §3º – Os clubes ficarão responsáveis de passar os dados e as informações dos torcedores/membros para o órgão competente ( CNTO).
    §4º – Os Clubes perante as suas torcidas organizadas serão os responsáveis pela seleção e admissão dos torcedores/membros das torcidas organizadas.

    Art.3º – Qualquer membro da T.O que for pego inflagranti pelas autoridades policiais cometendo qualquer tipo de crime será punido civilmente de acordo com a Lei e terá o seu registro do CNTO caçado por 1 ano e terá que se apresentar ao órgão responsável ( CNTO) sempre no inicio do horário dos jogos do seu clube.

    PARÁGRAFO ÚNICO – O torcedor que for punido com a presença obrigatória ao órgão responsável (CNTO) e este não comparecer no dia e hora marcada será autuado pelo crime de Desacato a autoridade Policial cuja pena varia de 6 meses a 2 anos de reclusão.

    §1º O torcedor que for reincidente por ter cometido qualquer tipo de crime terá o seu cadastro cancelado definitivamente do CNTO.

    Art 4º – o Torcedor que emprestar , vender ou ceder a carteira/ingresso para quem quer que seja terá o seu registro no CNTO cancelado por 1 ano, sendo proibido de entrar em qualquer estádio brasileiro como integrante de torcida organizada por igual período. Caso o torcedor seja reincidente terá o seu registro retirado definitivamente do cadastro da CNTO.

    Art-5º – fica estabelecido que todos os integrantes das torcidas organizadas de todos os clubes do Brasil que forem devidamente cadastrados no CNTO terão direito de adquirir os ingressos com desconto de 50% para o setor determinado pelo seu clube.

    §1º – O torcedor/membro poderá comprar o seu ingresso através do site da CNTO.
    §2º – O torcedor/membro que quiser comprar o ingresso e não tiver acesso a internet poderá fazê-lo na CNTO da sua região.

    • Fala, Paulo! Pois é, eu também acho que deve haver algum apoio de cima para baixo, em forma de lei ou alguma outra solução. É complicado para os clubes, sozinhos, cortarem mamatas de anos e anos. Os caras não vão querer lagar o osso – e nem sempre estão dispostos a muito diálogo.

      Valeu, abraço!

  5. Luiz Carlos Máximo disse:

    Correto tá tudo aí. Você diz não entender o que faz uma pessoa de bem se integrar a um grupo que propõe a violência. É um bom objeto de estudo e pesquisa para a sociologia, antropologia, psicologia, que poderia também ajudar na solução do problema. Taí uma boa pauta e uma ótima oportunidade para a imprensa contribuir.
    São inúmeros os casos de torcidas organizadas em conluio com direções dos clubes. Mas nada é tão ruim que não possa piorar. Eu fico pensando se um dia chegar no Brasil, como existe por exemplo na Argentina, a aliança de políticos e partidos políticos com esses grupos. Aí que a solução se tornará ainda mais difícil.
    Parabéns pelo texto. Abração.

  6. Ilan disse:

    Única questão que me ocorre: não seriam as TO as responsáveis (não que precise ser assim, mas vem sendo) pelos mosaicos que incentivam os torcedores (famosos modinhas) a ir, puxam as músicas e fazem da torcida um participante do jogo, ao contrário do torcedor FIFA™?

    • Fala, Ilan!

      Teoricamente, sim. Mas, ao mesmo tempo, elas se escoram nessa tal “nessecidade que existam para haver o espetáculo” para serem vistas, muitas vezes, como um mal necessário. Mas não são, muito menos da forma como se apresentam hoje em dia, violentas e parasitas dos clubes.

      A torcida do Flu, por exemplo, tem um ótimo exemplo, que é a Legião Tricolor. Os mosaicos mais famosos no Brasil são os tricolores, e todos foram idealizados e realizados por eles. Inclusive o primeiro de todos, apenas nas cadeiras amarelas do Maracanã, em um Fla-Flu. Até houve a ajuda de algumas TOs na montagem dos maiores, nos setores destinados a elas, além de erguerem o papel – o que não é exatamente um favor, né. E tudo foi obtido com arrecadação popular, assim como pó de arroz, fogos, etc.

      Cito este exemplo porque é um movimento popular, sem diretoria, sede, CNPJ ou coisa que o valha, que não ganha ingressos, não faz apologia à violência, não tem escudo nem camisa próprias – apenas os símbolos do Fluminense. Inclusive, 90% das músicas novas que hoje são cantadas nas arquibancadas do Flu foram criadas por pessoas dali.

      Em outras torcidas houve movimentos semelhantes, mas a maioria ou virou TO ou perdeu força – muitas vezes intimidadas pelas facções.

      Com isto, quero te mnostrar que há soluções. As Organizadas nasceram, há mais de 40 anos, com uma proposta semelhante, mas foram se desvirtuando pelo meio do caminho. Mas antes disso, muito antes, havia a animação da torcida de futebol. Elas não são um mal necessário, nem tampouco as festas nas arquibancadas vão acabar. Há meios, há ideiais e, principalmente, há exemplos de como fazer, apenas com torcedores apaixonados.

      Hoje é assim porque é o modelo vigente há décadas – e ninguém vai querer largar o osso, né.

      Abraço!

  7. Lucas Porto disse:

    Análise precisa. Se o poder público, que não entende nada do futebol ou do seu entorno, quiser caminhar para uma solução do problema pode começar lendo o texto.
    E enquanto resolve a questão podia liberar nossa cerveja, né?

    Abraços e parabéns!

  8. Thiago Gurgel disse:

    Perfeito Emiliano!

  9. Leonardo Bagno disse:

    Olé!

  10. Caio Barbosa disse:

    Os únicos senões são os motivos que fazem alguém entrar para uma TO. Já te expliquei, mas como já havíamos acabado a torta alemã e recomeçado a rodada… rs. Sobre o percentual de 7%, a questão é simples: as torcidas têm por volta de 50 mil componentes. 7% são 3.500 vândalos. É mais ou menos por aí, sim. Se bobear, menos. O grande problema é que os outros 46.500 não vão aos jogos. E dá para fazer cadastro, sim. Basta condicionar a escolta dos bondes ao cadastro de todos aqueles que estão no bonde. Entre outras medidas. Mas dá, sim. Dá um pouquinho de trabalho. E dar trabalho é um problema danado. Mais fácil mandar para Bangu 1 e fingir que tudo está sendo feito.

    No mais, é isso aí mesmo.

    • Ah sim, as Organizadas têm uns 50 mil componentes, mas ao longo da sua história, né. Se pegar os adimplentes, o que ainda pagam, compram camisas e tal, o número é muito inferior a 50 mil, e aí a proporção vândalos/pessoas de bem cresce bastante. Ou não?

      De resto, é isso. Tem mil opções, bastaria que boas cabeças pensantes se juntassem. Mas é o que você disse, trabalhar dá muito trabalho…

      Valeu a moral, irmão, abraço!

      • Caio Barbosa disse:

        Sim, os números são frios. Mas a amostragem é feita em cima dos números disponíveis. Por isso os 7%. Para chegar à realidade, seria preciso uma recontagem, um recadastramento, com a fiscalização do Poder Público. Só este pontapé inicial já daria uma noção mais precisa do tamanho do problema e como enfrentá-lo. Mas dá trabalho. O Governo Federal, que havia se comprometido a custear as catracas onde vc entra com a impressão digital, já pulou fora. Mandemos uma dúzia para Bangu 1 e esperemos a briga do próximo fim de semana.

        • Pois é. E a tal “sociedade”, a que não vai aos estádios, lê a capa do Globo e se dá por satisfeita…

          • Caio Barbosa disse:

            A imprensa é corresponsável por isso. O Poder Público age pura e tão somente para dar satisfação a nós, mídias, de acordo com o que nós, mídias, reportamos, publicamos e, sobretudo, comentamos. Como a maioria de nós trata o assunto nas coxas, as medidas tomadas também são nas coxas e o resultado é aquele que a gente já sabe. Vira um ciclo vicioso feito nas coxas e que acaba com o torcedor tomando na… a gente já sabe.

  11. Perfeito! Só que não há interesse da polícia em terminar com esses ingressos porque muitos ganham um “extra” com eles. Teria que ser alguém de cima, alguém que entende que o problema é muito maior do que se pensa… existe esse alguém?!

    • Não é possível que não exista alguém. E não é só a polícia, muita gente dentro dos clubes também ganha um qualquer com a revenda de ingressos. Bem complicado…

      Beijo!

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